Compromisso da utilização do produto pela pessoa (parte 4)

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O rendimento, no entanto, foi posteriormente apropriado e reformulado de termos ecológicos para a teoria da comunicação, para denotar um processo de codificação de cenários para a utilização do produto para serem então decodificados pelos utilizadores.
A investigação cognitiva pode por e exemplo argumentar que os produtos deveriam ser desenhados para falar aos seus próprios utilizadores e ter condições de significado a provisão de pistas fortes para as operações das coisas. Quando coisas simples precisam de imagens, rótulos ou instruções, pode-se dizer que o desenho falhou. A IMAGEM02 é um diagrama da visão de dos produtos e os produtos em termos da teoria da comunicação.
Perspectivas como a expressada atribuem à autoridade especial ao desenhador em estabelecer normas sobre como os produtos que devem ser utilizados ou compreendidos. Esses produtos devem ser explicados da perspetiva de seus desenhadores/criadores é uma ideia enraizada na história intelectual. Pelo que os autores são intuitivamente supostamente amarrados às suas obras e no presente momento da sua receção ou utilização, as falacias desta abordagem já foram amplamente articuladas no contexto da crítica literária.
IMAGEM02
IMAGEM02
2.2. Utilização do texto como leitura
O metaforismo do desenho e a utilização como escrita e leitura, a abordagem comunicativa dos produtos também invocou ideias da crítica literária. Tais ideias rejeitam o modelo de recetor do remetente da teoria da informação e veem o produto como texto abertos à significação no contexto da utilização. Ao fazê-lo pode-se mudar o foco do desenho e dos desenhadores para a utilização dos utilizadores. Dentro do domínio da metáfora do texto, essa mudança de foco é conceitualmente derivada de que o locus da escrita é, de fato, a leitura. Alguns teóricos argumentam que a unidade dum texto está no seu destino e não na sua origem.
Seguindo a tradição semiótica em que se conceitua a abertura da leitura como resultado do vasto número de combinações que um leitor pode realizar nas unidades elementares dum texto. A abertura e a criatividade da leitura, portanto residiriam na combinação particular, estruturação, dessas unidades que o leitor escolheria ao atravessar o texto. No entanto pode-se considerar que o leitor não como correspondente a uma pessoa particular que executa uma operação dinâmica a leitura, mas como uma entidade abstrata que encapsulou todas as possibilidades de leitura a combinações das unidades elementais contidas num texto.
A metáfora do texto é passível de tradução para se desenhar e é necessário substituir o autor pelo desenhador e o leitor pelo utilizador e o texto com o produto. A questão que surge aqui, no entanto, é se a metáfora do texto um modelo conceitual adequado à captação das características de utilização contingentes e abertas. Seguindo a tradição semiótica, dos atos de utilização que seriam descritos como operações de recombinação de estruturas codificadas no texto ou produto por um autor/desenhador. Se esta descrição de utilização estiver correta, então, seria possível ler utilização e a função da estrutura do produto e como uma das muitas combinações que essa estrutura permite. Função e ateização, portanto, ainda seria rastejável ao desenhador que implantou essa estrutura.
Esta crítica também é relevante para padrões do desenho que aspiram a produzir em trabalhos abertos ou interativos que convidam o envolvimento dos utilizadores e, alegadamente, lhes permitam escolher e mudar livremente os produtos que eles utilizam. Apesar das diferenças nas implementações específicas de tais modelos, a interpretação mais frequente da abertura é como proporcionar aos utilizadores um vocabulário das unidades que possam ser confinadas de acordo com a preferência do utilizador para produzir diferentes tipos de significados. Todas as combinações possíveis podem ser previstas com antecedência e a agência dos utilizadores que é escolher uma dessas combinações, muitas vezes pré-definidas. Esse tipo de abertura combinatória foi teorizado por trabalho aberto e que tem uma longa história em modelos computacionais iniciais do desenho participativo, que formaram protótipos para conceituar o design aberto ou sistemas interativos.
3. Atitudes centradas na utilização
Perspetivas empíricas e teóricas recentes que emanam de fora das disciplinas do desenho técnico colocaram em dúvida a distinção entre desenhadores e utilizadores, argumentando que essa distinção é paroquial e sintomática de papéis sociais culturalmente perpetuados. Como tem sido amplamente teorizado em estudos empíricos de tecnologia, e reconhecido filosoficamente, tanto como desenhadores e utilizadores realizam atos igualmente inventivos, criativos e transformadores. Os teóricos da função tomaram esse argumento como um bloco de lançamento a partir do qual desenvolver caracterizações centradas na utilização da função. Por exemplo pode-se articular uma teoria da função em que a função não depende de propósitos de atores isolados, mas cresce a partir de padrões históricos da utilização real e reprodução para essa utilização. A IMAGEM03 ilustra o continuo entre a função e a utilização e entre os contextos do desenho e a utilização. Teorizar e descrever a utilização é um problema real e difícil, pois inclui atividades que são heterogêneas, bem como espacialmente e temporariamente dispersas. A utilização duma realização contínua, mantendo juntos encontros com produtos e as ações sobre esses assuntos, e desconstruir a utilização do desenho estudá-lo como um fenômeno no seu próprio direito corrige algumas das falácias das atitudes centradas no desenho e comunicativas, que insistem em estabelecer vínculos causais entre a forma como um produto foi criado e como ele é utilizado ou entre o ator humano que o criou e que o utiliza. Concentrar-se nos atos da utilização nos casos dos compromissos dos produtos humanos e estudá-los por direito próprio traz novos potenciais para a investigação do desenho. A questão que surge então é como pensar sobre tais atos de utilização sobre tais casos de compromissos de produtos humanos.
IMAGEM03
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3.1 Abordagens semióticas versus ecológicas na utilização de produtos
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